15 de set de 2016

Quando foi que Jesus virou um homem branco, de olhos azuis e de aparência europeia? Descubra!




Jesus Cristo tem sido venerado e cultuado no Ocidente há quase 2 mil anos, a tal ponto que suas declarações (corretamente atribuídas a ele ou não) têm ocasionalmente servido como base para diversos movimentos religiosos.

A vida de Jesus, ao longo do tempo em que esteve vivo e conforme relatos bíblicos, foi dedicada a trabalhos missionários e a ajudar o próximo, com isso, diversas pessoas, em diferentes sociedades, têm criado imagens suas, conforme relatou Richard Stockton, do site All That Is Interesting.

Fazer isso é relativamente fácil, já que, acredite ou não, na Bíblia não contém nenhuma descrição da aparência física de Jesus. No entanto, temos que colocar em relevância a ideia de demografia, ou seja, se Jesus existiu e esteve no lugar em que a Bíblia conta, então ele certamente não era branco. Ainda hoje pensamos nele dessa forma, mas por que isso acontece?

Nem mesmo uma tentativa amadora de retratar Jesus pode ser encontrada antes de 2 mil anos atrás. Isso tem muito a ver com a posição dos cristãos, que foram muito perseguidos na época do Império Romano. Embora as condições variem de lugar para lugar, é justo dizer que seguir Jesus não era uma atitude tão popular até algum período entre o século IV. Sendo, talvez compreensível que a primeira representação de Jesus Cristo seja um “grafite” satírico riscado em gesso por um romano.

 
Porém, em representações mais positivas que datam o século III, como um afresco encontrado na catacumba de São Calisto, em Roma, Jesus é mostrado como um bom pastor, com pele bronzeada e roupas bem contemporâneas, considerando o tempo e o lugar. Ele é também retratado sem barba, o que era bem comum entre os romanos da época, mas inédito para os homens da Judeia.


Em outra imagem, possivelmente a mais antiga que tentou representá-lo, Jesus é claramente retratado como se tivesse sido um Romano, de origem italiana ou grega. “Enquanto o conceito moderno de arte representacional possa olhar de soslaio para esse tipo de coisa, lembre-se de que Jesus já havia sido descrito como um símbolo abstrato ou uma combinação misteriosa de letras”, escreveu Stockton. “Em um sentido real, como realmente era a aparência de Jesus durante sua vida, parece ser irrelevante para as pessoas que se encontram diante desse afresco. O que importava mesmo era a conexão que sentiam com ele”, afirmou.




Com a chegada do imperador Constantino ao poder, no início do século IV, o cristianismo pôde sair das sombras. E mais do que isso, com um imperador amigável e uma rainha extremamente devota, Santa Teresa, ser cristão passou a ser, de repente, um caminho para poder e influência.


Em uma casa que pertencia a Constantino, foi encontrada uma imagem de Jesus: um homem branco, sentado em um trono entre os discípulos Pedro e Paulo. Além disso, a maioria dos elementos da iconografia cristã tradicional também foi representada. Jesus tem uma auréola, está no centro da composição, seus dedos são mantidos em forma de uma benção, e ele claramente aparenta ser europeu – todo mundo ao seu redor está usando vestes gregas, Jesus tem um cabelo longo e ondulado, que corre junto com sua barba – uma representação que foi mantida até hoje, 1.700 anos depois.


Em sua aparência mais moderna, ainda é mostrado como um homem de pele clara e feições europeias, ideia que, ao que tudo indica, foi estabelecida no reinado de Constantino. No entanto, o próprio imperador, com o passar do tempo, foi modificando a imagem para descrever Jesus, por dois motivos: primeiro, por pressão dos religiosos mais conservadores e segundo, por pressão dos artistas, que queriam vender cada vez mais obras.



No entanto, autoridades da Igreja Católica foram historicamente resistentes a qualquer tipo de mudança, especialmente no período da Idade Média – basta você se lembrar do que aconteceu nas Cruzadas. Sendo assim, essa proibição gerou uma pressão enorme sobre os jovens artistas que não queriam ser queimados vivos pelo crime de heresia só para aparecerem no rodapé de um livro de História da Arte.

Avançando um pouco nessa linha do tempo, hoje – graças à tecnologia, modernidade e tudo o mais – Jesus pode ser representado através da iconografia ou do cinema. Os ícones são geralmente cartões ou folhetos que podem ser carregados por aí, ou até mesmo ficar em casa (como em um calendário, por exemplo), a maioria ainda seguindo as velhas convenções artísticas do final do império Romano.

Já nos filmes, essa representação é um pouco mais “solta” – como convém a um meio mais moderno – no entanto, os atores escolhidos para o papel ainda são brancos.

O ator Haaz Sleiman, que interpretou Jesus em um programa da National Geographic, é considerado uma visão mais “realista” da aparência de Jesus.
Sendo assim, a “culpa” dessa propagação da ideia de que Jesus era um homem branco de feições europeias pode ser atribuída a todas as culturas que receberam a visita de missionários – que eram tão influentes quanto os cristãos – e continuaram a propagar essa representação, e enquanto o Império eventualmente ruía, uma das suas mais exageradas ideias ficou presa na cabeça das pessoas.
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